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Copa Brasil: Grêmio – São Paulo

Esta semana, diretamente da MBP School of Coaches, faremos uma análise pré-jogo da partida Grêmio x São Paulo, na primeira partida das semifinais da Copa do Brasil.

A análise realizada tem como objetivo explicar o comportamento da equipe treinada por Fernando Diniz no lançamento da bola, famosa por sua ideia de um jogo curto associativo, raro nas Seleções Brasileiras. Essa ideia fica bem refletida, principalmente no início do jogo, quando a bola é lançada, que podemos dividir em dois momentos distintos:

1. Início estático a partir do gol. Este momento ocorre quando o goleiro inicia o jogo com a bola parada após deixar a bola pela linha de fundo.

2. Início da bola dinâmica. Isso ocorre quando a bola já está em movimento, mas a primeira linha de pressão do time rival ainda não foi ultrapassada.

Aprofundando os dois momentos do jogo, descreveremos três aspectos principais para entender melhor o propósito do São Paulo em chutar a bola:

• Princípio do jogo, ou seja, o que a equipe deseja alcançar naquele momento.

• Estrutura ofensiva que a equipe possui no momento do jogo analisada. Ou seja, como a equipe está posicionada no nível organizacional.

• Comportamento dos jogadores com base em sua “zona de fase” em relação à bola. Também relacionado a como atingir seu objetivo naquele momento.

Uma vez contextualizado, vamos analisar em detalhes os dois momentos da saída de bola paulista.

HORA ESTÁTICA DE INÍCIO DO JOGO

O objetivo do São Paulo nessas situações é conectar-se com um dos jogadores localizados dentro da área ao lado do goleiro para poder iniciar a bola de forma controlada e, posteriormente, levar a bola para a zona 2.

Como pode ser visto nas imagens, os jogadores são posicionados com uma estrutura P-2-3, onde a primeira linha de dois jogadores está localizada dentro de sua própria área, enquanto a próxima linha é posicionada na frente da área.

Os jogadores encarregados de se posicionarem dentro da área em conjunto com a próxima linha de 3 jogadores, encontram-se na zona de intervenção onde o objetivo é garantir o apoio clarividente. Enquanto as próximas linhas ofensivas da equipe estão em 3-2, esses jogadores estão na zona de cooperação. Estão posicionados em áreas mais remotas, mantendo a profundidade e amplitude da equipe, obrigando a equipe defensora a realizar vigílias defensivas em caso de possível deslocamento longo do goleiro.

HORA DE INÍCIO DO JOGO DINÂMICO

A análise desse momento do jogo está intimamente ligada ao momento analisado anteriormente, uma vez que, devido à ideia do jogo paulista, os dois momentos aparecem quase consecutivamente. A ideia de jogo do São Paulo neste momento é a mesma do momento anterior, onde além de querer levar a bola para a zona 2 de forma controlada, o objetivo é consegui-lo gerando superioridades numéricas na zona ativa.

Para atingir este objetivo, a Seleção Brasileira sempre se posiciona tendo o goleiro como o homem mais atrasado mais uma linha de 3 e a linha de defesa varia conforme o número de rivais, oscilando sua estrutura de P-3-2 ou P-3-3, como você pode ver nas imagens.

Outro aspecto a se levar em consideração no posicionamento da equipe é a sua organização dinâmica em situações em que o goleiro tem o controle da bola. Os jogadores mais próximos da bola procuram sempre posicionar-se em losango, gerando linhas diagonais de passe para conseguir ultrapassar o adversário com alguma facilidade.

Por fim, para atingir o objetivo do jogo acima exposto, o comportamento dos jogadores mais próximos da bola é abordá-la para ter sempre mais superioridade numérica que o rival, para poder levar a bola de forma limpa e clara para o próximo momento do jogo, o momento da elaboração. Por outro lado, a equipe sempre tenta manter um homem do lado oposto, garantindo amplitude, dando a possibilidade de fazer uma mudança de orientação se necessário.

RESUMO DA ANÁLISE

Após analisarmos os dois momentos do jogo em que se observa a saída de bola da equipe, podemos destacar que o São Paulo possui um estilo bem definido nesses momentos.

A equipe sempre quer começar o jogo de forma elaborada, jogando um jogo combinado, buscando gerar superioridades numéricas nas áreas ativas da bola e progredir como um bloco. Isso permite que eles ataquem de forma organizada, de forma que após uma possível perda de bola, estejam bem posicionados para pressionar e se reorganizar na transição.

Para atingir esses objetivos, a equipe mantém sempre padrões estruturais fixos, tendo uma linha de 3 jogadores na zona da bola, mais uma linha de defesa de 2 ou 3 jogadores, procurando encontrar aquela superioridade numérica na zona ativa que lhes permite ultrapassar as primeiras linhas de pressão rival.

Juntamente com a organização estrutural da equipe, o comportamento dos jogadores em função da relação com a bola, são os acordes para atingir o objetivo principal de sair com a bola sob controle. Em seguida, os jogadores na zona de intervenção apoiam o jogador com a bola, posicionando-se em intervalos diferentes dentro da estrutura defensiva da equipe rival, enquanto os jogadores na zona de cooperação mantêm amplitude e profundidade para fixar os defensores rivais e gerar espaços entre linhas para seus próprios companheiros.

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